segunda-feira, 4 de junho de 2012

AMIGOS DE INFÂNCIA


(Missão Nª.Sª. do Carmo
em Traquino-Mutarara) 
                       
                              

        Por volta dos anos sessenta do sêculo vinte não havia muitas ocupações como celulares, internat e a televisão, únicos divertimentos que tínhamos era a bola de farrapos ou jogos tradicionais.
     Quem não fosse a escola não era o problema do tempo, este tínhamos de sobra não fosse as brincadeiras de mata-mata e os jogos de escondidas. Para dizer a verdade, as escolas não eram como hoje em todos os cantos, era preciso andar até quinze a vinte quilómetros  para alcançar uma escola.
         Todas as escolas eram missionárias católicas e os nossos professores eram ao mesmo tempo catequistas. Lembro-me de um grande catequista na missão de Inhangoma em Mutarara o senhor Josefe Ndapassoua, uma figura muito conhecida por todos nós daquele tempo.
            Da minha localidade à missão distava uns vinte e quatro quilómetros, percorríamos esta distância a pê, uma vez por semana, partíamos aos domingos a tarde depois de assistir a missa de baixo de uma mangueira na aldeia, dirigida pelo catequista, os cristão não podiam comungar, só quando viesse o senhor padre uma vez em cada mês.
        Todos nós depois de concluir a terceira classe tínhamos que estudar na missão, onde havia os grandes professores que podiam lecionar a quarta classe. Lembro-me de alguns nomes: Guilherme Vaz, Sebastião Jenquene Nhambessa, António Fole, Marcos, Miguel e entre outros.
      Todos os alunos de Inhangoma tínham que frequentar a quarta classe em Traquino na missão nossa senhora do Carmo, antes de ser instalada a escola de Jardim que mais tarde começou a lecionar a quarta classe.
          Nas escolas missionárias só lecionavam e os exames finais ficavam a cargo das escolas oficiais onde estudavam os meninos assimilados.
         Foi bom ter passado essa fase onde conhecí muitos amigos, alguns hoje bem posicionados, doutores e até alguns com filhos mestrados e sinto por aqueles que não puderam alcançar os mesmos êxitos. E recordo com muita angústia pelos amigos que não puderam viver até hoje, que a paz do Criador estejam com eles e que pousem nos lugares dos justos.


  Por: Nhansôa
         

2 comentários:

  1. Boa tarde,
    O seu relato faz parte da minha história, pois para além de ter raízes nesta zona de Moçambique, um dos ex-professores mencionados (Sebastião Jenquene Nhambessa), já falecido era irmão do meu pai (António Jenquene Nhambessa).
    Takhuta Simão Pedro António Nhambessa

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    1. Irmão Simão, fico feliz em saber que és de facto um elemento familiar, primeiro, fui aluno do seu pai no Ciclo Prepratório na cidade da Beira nos anos 70, o seu falecido tio estava casado ou viviam juntos com a minha prima Verónica Dina. Gostei imenso de si e da sua abertura! E por último, gostaria que fizesse parte deste site, gostar e contribuir....kikikikikikikikiki

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